
Violência escolar no Brasil mais que triplica em uma década; casos chegam a 13 mil em 2025
Os episódios de violência nas escolas brasileiras dispararam nos últimos 10 anos, superando três vezes o número registrado em 2025.
Os episódios de violência nas escolas brasileiras dispararam nos últimos 10 anos, superando três vezes o número registrado em 2025. Os dados, compilados pela FAPESP com base em estatísticas nacionais, revelam que, em 2025, foram registradas 13,1 mil vítimas atendidas em hospitais públicos e privados após agressões no ambiente escolar — um aumento considerável em relação às 3,7 mil ocorrências dez anos antes.
Tipos de violência mais comuns
Entre os casos documentados em 2025, metade envolvia violência física. Outros 23,8% diziam respeito a agressões de natureza psicológica ou moral, enquanto 23,1% estavam relacionados a abuso sexual. Em cerca de 36% das situações, o autor da agressão era um amigo ou conhecido da vítima.
Categorias e variáveis influenciadoras
O Ministério da Educação (MEC) classifica os incidentes em quatro categorias:
- Agressões extremas, incluindo ataques premeditados e com resultados letais;
- Violência interpessoal, que abrange hostilidade e discriminação entre alunos e professores;
- Bullying, que se caracteriza por intimidações físicas, verbais ou psicológicas recorrentes;
- Incidentes no entorno escolar, como roubos, tiroteios ou presença de tráfico de drogas nos arredores.
O aumento significativo entre 2022 á 2025 está associado a diversos fatores, incluindo:
- Desvalorização dos professores no imaginário coletivo;
- Normalização de discursos de ódio;
- Condições precárias nas infraestruturas escolares;
- Situações de violência vistas ou vivenciadas pelos alunos em casa;
- Falta de preparo das secretarias municipais e estaduais para lidar com casos que envolvem misoginia e racismo;
- Maior rigor nos registros hospitalares e o surgimento de grupos virtuais nocivos, as chamadas “comunidades mórbidas”.
E estratégias de enfrentamento
Especialistas indicam caminhos para reverter esse quadro crítico por meio de:
- Políticas públicas integradas e intersetoriais;
- Parcerias entre educação, saúde, assistência social e sistema de justiça;
- Redesenho da cultura escolar — superando iniciativas pontuais;
- Gestão escolar com representação racial e de gênero;
- Acionamento efetivo de conselhos tutelares nos casos mais graves.
Fonte: G1 – “No Brasil, violência escolar mais do que triplica em 10 anos; discursos de ódio impulsionam aumento” (15 de abril de 2025)

