Queimadas ameaçam mananciais estratégicos nas Bacias PCJ e colocam em risco o abastecimento de milhões de pessoas

Queimadas ameaçam mananciais estratégicos nas Bacias PCJ e colocam em risco o abastecimento de milhões de pessoas

As queimadas e incêndios florestais avolumam-se em áreas cruciais que abastecem as Bacias PCJ — formadas pelos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí

As queimadas e incêndios florestais avolumam-se em áreas cruciais que abastecem as Bacias PCJ — formadas pelos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí —, cenário que se agrava diante dos níveis cada vez mais baixos dos reservatórios do Sistema Cantareira, que está operando em faixa de alerta pelo baixo volume. As chamas devastam a vegetação, reduzem a capacidade de infiltração da água e dificultam a recarga subterrânea, agravando a crise hídrica em plena expansão urbana.

Regiões mais afetadas

Municípios como Atibaia, Bragança Paulista e Piracaia concentram as queimadas em locais estratégicos:

  • Atibaia: a Serra do Itapetinga abriga importantes microbacias e unidades de conservação ambientais vulneráveis que alimentam nascentes vitais.
  • Bragança Paulista: as áreas entre Bragança e Atibaia, além do Morro do Guaripocaba, são ocupadas por queimadas repetidas, refletindo conflitos fundiários e expansão urbana.
  • Piracaia: os arredores da Represa Cachoeira — fundamental para o sistema de abastecimento conectado às represas Jaguari-Jacareí, Atibainha e Paiva Castro — figuram como locais de recorrentes focos de fogo.

Impactos sobre a oferta de água

Essas represas não abastecem apenas as cidades da região das Bacias PCJ — cerca de seis milhões de habitantes —, mas também a Região Metropolitana de São Paulo. Uma parcela significativa desse fluxo hídrico é usada pelo Sistema Cantareira para abastecer 8,8 milhões de pessoas. A vegetação degradada pelos incêndios reduz a capacidade de retenção do solo e favorece a erosão, o que compromete a filtragem natural da água da chuva e acelera o escoamento superficial.

Estratégias de proteção e prevenção

Para conter essa situação, destaca-se a urgência na implementação de Planos de Manejo Integrado do Fogo (PMIFs) — estratégias participativas que orientam o uso controlado do fogo e reduzem os impactos dos incêndios. Piracaia já é exemplo nessa abordagem, com apoio técnico da SIMBiOSE e da ONG The Nature Conservancy Brasil. A Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (Lei nº 14.944/2024) fortalece esse modelo, propondo atuação conjunta entre governos, sociedade e setor produtivo.

O estabelecimento de áreas protegidas, como o Parque Estadual do Itapetinga, o Parque Natural Municipal da Grota Funda e o Monumento Natural Estadual da Pedra Grande, ajuda a resguardar matas e nascentes. Mesmo assim, as queimadas continuam ameaçando essas áreas, inclusive locais de nascente que alimentam toda a região.


Fonte: O Atibaiense — “Queimadas e incêndios florestais se concentram em locais estratégicos para o abastecimento de água nas Bacias PCJ” (08 de setembro de 2025).

CATEGORIES
TAGS
Share This

COMMENTS

Wordpress (0)
Disqus ( )