
Câmara de São José do Rio Preto debate inclusão escolar de alunos com deficiência
A Câmara Municipal de São José do Rio Preto realizou, no dia 21 de agosto de 2025, uma audiência pública na qual especialistas, mães de crianças com autismo e representantes de entidades discutiram os caminhos para aprimorar a inclusão de alunos com deficiência no sistema educacional municipal.
A Câmara Municipal de São José do Rio Preto realizou, no dia 21 de agosto de 2025, uma audiência pública na qual especialistas, mães de crianças com autismo e representantes de entidades discutiram os caminhos para aprimorar a inclusão de alunos com deficiência no sistema educacional municipal.
Convidada pela Comissão Permanente de Defesa da Cidadania, a reunião teve como foco avaliar as políticas atuais de inclusão local e abordar diretrizes estabelecidas no Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. O vereador Fabiano de Jesus (Psol) conduziu os debates, com a participação do colega Pedro Roberto (Republicanos), que reforçou a urgência de ações mais eficazes. “A inclusão ocorre de forma muito lenta. Precisamos ouvir a população e acelerar esse processo”, afirmou.
Pela Associação dos Trabalhadores da Educação Municipal (ATEM), a diretora Aline Oliveira destacou que, apesar do aumento nos investimentos, a estrutura permanece insuficiente. Já Nathalya Tukamoto, da mesma entidade, ressaltou que nem todas as crianças com deficiência estão sendo atendidas adequadamente, pedindo um olhar mais humano e efetivo.
A audiência também contou com a participação online de William de Jesus Silva (ABRAÇA), que ressaltou a necessidade de critérios claros para inclusão. Ele defendeu que pessoas com deficiência devem ter protagonismo no processo, e não serem apenas objeto de políticas assistencialistas.
Do ponto de vista clínico, a médica psiquiatra Rachel Tosta alertou para a importância de respeitar as singularidades de cada criança atípica e criticou abordagens padronizadas. A psicóloga Marcela Silva complementou, afirmando que saúde e educação devem caminhar juntas em um sistema intersetorial, acessível e que valorize a autonomia.
Já a pedagoga Jennifer Nayara trouxe à tona o foco nas potencialidades do aluno, e não nas limitações. “Precisamos medir o quanto aquele estudante pode aprender, ao invés de enfatizar o que ele não consegue fazer”, afirmou, referindo-se às diretrizes do AEE — Atendimento Educacional Especializado.
Entre os participantes também estava o professor da USP José Leon Crochick, que por videochamada defendeu a presença de um segundo professor em sala para atender quem precisa de suporte, destacando que esse recurso deve beneficiar todos os alunos que necessitam, independentemente de laudo médico.
Mães de alunos com necessidades especiais levantaram questões práticas: Lígia Tavares reclamou da sobrecarga dos professores e defendeu a presença do acompanhante terapêutico no planejamento educacional. A psicóloga Bárbara Ismael e a fonoaudióloga Laís Donida também contribuíram, abordando iniciativas como o programa “Ninho do Bebê” e práticas de comunicação alternativa, enfatizando que “sem comunicação, não há inclusão”.
Transmitido pela TV Câmara de Rio Preto, o evento se insere em uma movimentação maior da Comissão da Cidadania, que pretende retomar o tema em audiências futuras conforme as demandas do movimento e da comunidade escolar.
Fonte: Câmara Municipal de São José do Rio Preto – “Audiência debate inclusão de alunos com deficiência” (21 de agosto de 2025)

